PERSPECTIVA TEÓRICA DA OBRA
Rodolfo Santullo, Mexico D.F., 1979, é jornalista, escritor,
roteirista e editor de Histórias em Quadrinhos do Grupo Belerofonte,
desde 1999. Santullo já ganhou vários prêmios por seus trabalhos, como o
do (Fundos Concursais para a Cultura), ofertado pelo Ministério da
Educação e Cultura do Uruguai. Já Marcos Vergara, San Nicolás,
Argentina, 1973, é desenhista formado pela Escuela Superior de Diseño
Gráfico e Bibliotecário graduado pelo Instituto Fray Luis Beltrán. Desde
2008 faz parte do grupo de “Historietistas Latinoamericanos –
Historietas Reales”.
Em se tratando da obra gráfica “Cena con Amigos” Santullo
(roteirista) e Vergara (desenhista) receberam o prêmio de “Melhor
Roteirista” no evento “Solano López” outorgado pela Feira do Livro de
Buenos Aires, 2010. Rodolfo e Marcos se apoiaram nos relacionamentos e
experiências vividas no cotidiano, para compor esta narrativa gráfica.
BREVE SÍNTESE DA OBRA
A presente resenha tratará da narrativa gráfica “Cena con Amigos”, dos autores Rodrigo Santullo e Marcos Vergara.
A obra é a primeira versão de HQs do Uruguai apresentada em Webcómic e
posteriormente impressa. Nesta narrativa, Santullo e Vergara iniciam o
diálogo retratando o cotidiano de um grupo de amigos composto por
Cristian, Marcela, Bernardo, Silvia, Jorge, Cinthia e Germán, que
partilham diversas situações que permeiam os mais diferentes grupos e
esferas sociais.
Em meio a traições, morte, violações, festas, piadas, jantares,
companheirismo e questionamento de caráteres, Santullo e Vergara nos
embarcam na viagem deste grupo, rumo a muitas descobertas e mistérios.

Figura 1 – Foto capa da História em Quadrinhos Cena Con Amigos. Fonte: Historietasreales –
https://historietasreales.wordpress.com/category/cena-con-amigos/ (2015).
A PROVOCAÇÃO FILOSÓFICA POR TRÁS DO ENREDO
Além de o tema envolver uma intriga policial, a obra apresenta uma
identidade critico-reflexiva, no que tange ao comportamento social, uma
vez que aborda os traços mais sórdidos da personalidade humana. Desde o
início, o caráter duvidoso de Bernardo, fica exposto ao leitor,
entretanto, através dos diálogos, observa-se que nenhum dos integrantes
da turma tem seu caráter ilibado ou, ao menos, um histórico limpo.
Nota-se, portanto, a tentativa do autor em despir toda a sociedade, no
concernente ao “politicamente correto”. O teor da obra nos remete a
Nelson Rodrigues, quando afirma: “Tarado é toda pessoa normal pega em
flagrante”, ou seja, não há ser humano livre de desvios de caráter.
O autor deixa claro que existe um período etário de amadurecimento,
no qual todo ser humano deve optar por se adequar às regras impostas
pela sociedade, ou manter-se livre delas, sendo que, qualquer das opções
resultará em uma potencialização do comportamento escolhido.

Figura 2 – Foto Primeira Festa na nova casa de Bernardo – p.4 Cena Con Amigos. Fonte: Historietasreales –
https://cenaconamigos.wordpress.com/ (2015)
Há uma dicotomia entre as perspectivas para a mesma situação: De um
lado, considerando os valores morais, pode-se encarar Bernardo como uma
pessoa de má índole, porém, partindo de uma perspectiva diferente, este
personagem é o único que assume sua natureza humana.
O direcionamento à reflexão mais interessante desta HQ, é a afirmação
implícita de que toda falsidade e ironia são recursos utilizados para a
manutenção de um grupo social, que necessita da aceitação mútua de seus
integrantes.
Fica bastante clara, a potência desta *** para transmitir uma
quantidade significativa de informações. Um livro puramente descritivo
necessitaria de muitas páginas caso quisesse transmitir todo o conteúdo
desta historieta. As imagens, aliadas aos diálogos escritos, conseguem
condensar um notável volume de informações, facilitando e agilizando o
entendimento da mensagem do autor.
A presente resenha não objetiva trazer à tona, a discussão sobre a
terceirização do imaginário do leitor. A proposta da ilustração, neste
caso, é justamente promover a clareza, para o entendimento adequado e,
nota-se nitidamente, que este propósito é alcançado.
Quanto à linguagem utilizada nesta obra, os autores optaram pelo
nível informal, já que tratam de temas do cotidiano de um grupo jovem.
No que tange a ilustração dos cenários e os traços dos personagens,
estes são nítidos e caracterizam com realismo, cada integrante e local,
bem como complementam a entonação e emoção sentida por cada individuo da
narrativa.
As pinceladas em preto e branco, também contribuem para a sintonia entre os espaços da narrativa e as experiências partilhadas.
CONHECENDO O ENREDO
Tudo começa quando os colegas se reúnem na nova casa de Bernardo,
para dar as boas vindas ao rapaz. À mesa, Cristian conta uma história de
humor negro e todos dão muitas gargalhadas.
Logo após colocarem o papo me dia, Bernardo, o mais destemido e
atrevido do grupo, comete mais um de seus gracejos desagradáveis,
propiciando desconforto e desavenças entre os colegas, que não tardam em
ir embora.
No dia seguinte, descobre-se que Bernardo está morto, e que este não
estava sozinho no momento em que faleceu, por haver duas taças de vinho
ao seu lado.
Com o passar do tempo, descobrimos que todos de certa forma, ocultam
alguma informação para manterem-se bem diante do grupo, e que a relação
entre eles, se dá por meio de ponderação e aparência, a fim de manter o
grupo conectado.
Para esquecer todos esses desgostos e reforçar os laços, os amigos
resolvem fazer uma viagem ao Glacial, a Perito Moreno, local que
Bernardo tinha planejado levá-los.
Na viagem os conflitos começam a surgir e as máscaras caem. Questões
como indiferenças, sexo, caráter, fidelidade, amizade e mentiras, são
colocadas em cheque, para testar os limites do ser humano, frente aos
laços básicos que unem os seres humanos. Por fim, Rodolfo e Marcos,
parecem usar o personagem principal da história, Bernardo, um cara
solitário, frio e destemido, que sem pudor, comete os mais grosseiros e
vulgares atos, como uma armadilha para criar no leitor a curiosidade
sobre os limites e disposição para mantermos um relacionamento “sadio”,
ante a sociedade.
Ana Paula Rodrigues Ferro: Mestranda em Comunicação e
Inovação – Universidade Municipal de São Caetano do Sul, Graduada em
Letras Língua Portuguesa e Espanhola, Especialista em Língua Portuguesa e
Literatura Faculdade campos Elíseos, Especialista em Ensino de Espanhol
para Brasileiro – PUC. Professora do Ensino fundamental e Médio do
Colégio Cristo Rei e na Pós Graduação da Faculdade de Conchas – FACON.
paula_verani@hotmail.com
https://pedagogiaequadrinhos.wordpress.com/2015/06/25/resenha-cena-con-amigos/
El estilo que decidió usar Ginevra es impresionante. Se nota que lo pensó, que lo practicó, que buscó con todas sus fuerzas hacer que ese laburo de claroscuro sea el mejor que hizo hasta ese momento. Se peló el culo y el resultado fue más de lo que cualquiera podría haber esperado y eso es de agradecer. Poder disfrutar de una obra que posea estas cualidades gráficas es lo que nos hace darnos cuenta de que todavía se puede dibujar no bien, si no extraordinariamente bien una historieta. Gracias, Dante.
Respecto al guión de Santullo, tengo mis encontronazos. Por un lado, si me lo pongo a analizar como algo seriado, publicado en la revista Fierro, cada capítulo que nos brinda Santullo no te llama mucho la atención. Hay algunos mejores, otros peores, pero que no tienen poder de “cuento” por sí solos. No te rompen la quijada de una trompada. Ahora, si lo analizo como el libro que editó Historieteca Editorial, las cosas cambian. Evidentemente el fuerte de Santullo es la novela y su capacidad de hilar personajes y cruzarlos. Cada capítulo es una semilla para la resolución de la historia más grande, la que sucede por arriba de cada capítulo, la que decide el destino final y justifica que hayamos que haber leído algunos capítulos que al principio parecían intrascendentes y sosos. La historia gira en los días previos al bombardeo a la Plaza de Mayo por parte de unos milicos descontentos con las políticas llevadas a cabo por el presidente Perón. Cada uno de los capítulos son las piezas necesarias para desentrañar quiénes lo llevan adelante y proponer una hipótesis sobre cómo es que pudo escapar Perón de semejante ataque.
En lo macro, el guión de Santullo es impecable; abusa un poco de la “voz en off” pero eso es algo ya muy personal, donde veo que muchos guionistas de historieta se deslucen un poco a causa de una prosa en algunos casos floja o pretenciosa. No digo que sea el caso de Santullo en particular, pero cuando veo guionistas que se sostienen tanto sobre los cuadros de textos, siento que no se tienen confianza, o no se la tienen al dibujante, para narrar más con acción, con el cuerpo de los personajes o el uso de la “cámara”.
Malandras es una historieta que cuando la leés de un saque se disfruta mucho, podés ver lo que el guionista se propuso a gran escala. Además, los dibujos de Ginevra se zarpan.
La edición de Historieteca Editorial es muy bonita, muy similar a la de los Autómatas del desierto, así que pulgar arriba.
Mi calificación: 4/5